Auto-hipnose é usada no combate à dor

Técnica é um instrumento complementar do trabalho de profissionais da saúde.

por MARCOS UCHÔA

Na imaginação popular, a hipnose tem parentesco com a mágica. Ambas são usadas em shows, nos palcos. Talvez isso tenha prejudicado um pouco a compreensão dos benefícios que a hipnose traz, particularmente para as pessoas que sofrem de muita dor.
Quando a psicóloga Edélia de Souza Pinto recebeu o laudo da perícia médica indicando aposentadoria definitiva por invalidez permanente, o mundo dela caiu. “Pensei que minha vida havia acabado porque eu tinha todas as limitações que você pode imaginar. Eu tive que aprender de novo a escrever”, conta.

Vítima de um acidente em um ônibus no Rio de Janeiro, Edélia passou cinco anos em busca de alívio para a cervical irremediavelmente danificada. Depois de muitas medicações e poucos resultados, ela, ainda que com uma certa descrença, resolveu experimentar a hipnose. Deu certo.

“Há um tempo eu não sentava”, lembra.

Além de utilizar a hipnose contra a dor, Edélia gostou tanto que se tornou uma hipnoterapeuta. Fez o curso no Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada, no Rio de Janeiro, e aliou o método ao seu trabalho de psicóloga. Hoje, Edélia consegue controlar a própria dor. “Com o auxílio da auto-hipnose, você faz em casa”, diz.

A aceitação é tanta que o Instituto de Hipnose Aplicada vem formando há 17 anos profissionais da área de saúde que querem aplicar a técnica dentro de sua especialidade.

“A hipnose é um instrumento complementar do trabalho da pessoa”, ressalta a presidente do Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada, Clystine Abram.

“Induzimos o paciente a relaxar, imaginar que está em um lugar tranquilo. Procuramos sempre o relaxamento muscular. Podemos usar a hipnose como ferramenta do trabalo complementando toda a atividade de fisioterapia”, explica a fisioterapeuta Tereza Cristina Lourenço, da Clínica da Dor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o paciente, treinar a auto-hipnose é aprender a se medicar na hora que precisar, porque depois que sai do consultório, o efeito da hipnose dura apenas um tempo. E ainda tem um bônus: é de graça.

“Hoje eu paro muitas vezes e penso: como eu consegui chegar a esse ponto?”, diz Edélia.

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