RESILIÊNCIA – TERAPIA E COACHING

por Valdecy Carneiro

Habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas.

Dicionário Aulete Digital

É moda atualmente, nos espaços e conversas terapêuticas e no mundo corporativo, muito especialmente em processos de coaching, falar-se de resiliência.

Ouço muitos profissionais dizendo: “Você tem que desenvolver sua capacidade de resiliência”, ou “fulano não foi resiliente o suficiente e, hoje é muito importante termos essa capacidade”, ou ainda “enquanto você não aprender a ser resiliente você vai continuar sofrendo e se desgastando desnecessariamente”.

Bonitas frases… Soam como estratégicas “saídas pela direita”, à la Leão da Montanha.

O mais engraçado é que a maioria das pessoas que ouço pronunciarem tais sentenças, não tem, ela próprias, a capacidade de resiliência que tanto apregoam.

Fico refletindo se tais terapeutas, coaches e consultores percebem o que estão fazendo com a estrutura mental e decisória de seus pacientes, clientes, coachees  ou seja lá o que for.

Informar a alguém que o mesmo possui uma deficiência ou insuficiência e não prover meios para que esse alguém supra tal lacuna é o mesmo que atribuir-lhe uma culpa, ou pelo menos mais um fardo para carregar – já não bastassem os outros tantos que o cliente já carrega…

Aliás, fato semelhante ocorre com a auto-estima – geralmente os pacientes saem dos consultórios entristecidos, pois agora sabem que além de outros recursos que não possuíam, não possuem também a danada da “auto-estima”.

Já com a motivação, o problema está principalmente na mecânica e altissonante repetição do mote motivacional de que “toda motivação é automotivação”. Isto é, no mínimo, uma meia-verdade. Quem já teve oportunidade de estudar lócus de controle interno e externo sabe do que estou falando. Os praticantes de PNL que estudam metaprogramas, também saberão identificar os indivíduos que possuem referenciais externos ou internos, predominantemente. Então, podemos inferir que pessoas com referenciais ou lócus de controle interno são automotivadas, já as de referencial ou lócus de controle externo precisam ser heteromotivadas.

Mas, voltando à resiliência, quero repetir que é cruel simplesmente apontarmos as deficiências ou insuficiências do cliente e não provermos os meios de ajudá-lo.

Atualmente, já possuímos técnicas e estratégias adequadas para o desenvolvimento da capacidade resiliente.

Há um ditado que diz: “O amorfo é ao mesmo tempo polimorfo”, ou seja, o que não tem forma alguma, ao mesmo tempo possui muitas formas.

É fácil de constatar isto, observando a água: amorfa e polimorfa, sem forma e com muitas formas – adapta-se facilmente ao recipiente que a contém.

O rio só atinge seus objetivos porque sabe

contornar os obstáculos…

Outro exemplo perfeito de resiliência é o bambu.

Durante as grandes ventanias, lá está o bambu a balançar-se para um lado e para o outro, voltando sempre ao seu estado original. Interessante é que árvores fortes, rígidas, acabam tombando nessas ventanias… mas o bambu… flexível, deixa-se conduzir pelo adversário e volta triunfante ao seu estado primeiro.

Em nossos processos de Coaching e terapia, utilizamos uma técnica que denominamos de Centramento Resiliente. Nesta técnica utilizamos recursos de visualização criativa e PNL, associados ao resgate de momentos de estabilidade próprios do cliente ou observados por ele.

É preciso termos consciência de uma coisa: para o desenvolvimento ou estabelecimento da resiliência é preciso que haja a vontade de voltar ao estado original, de não deformar-se.