CRENÇAS NA PNL E CRENÇAS NA TREC: DIFERENÇAS
por Renan Almeida
As principais diferenças entre a visão de crenças da PNL e da TREC são as seguintes:
Em PNL crenças são os componentes chaves da nossa estrutura profunda. As crenças, segundo Dilts, moldam e criam a nossa estrutura superficial. Elas situam-se numa alta escala dos níveis neurológicos e dizem respeito ao por que fazemos o que fazemos.
Assim como na TREC, na PNL as crenças essencialmente são julgamentos sobre nós mesmos, os outros e o mundo que nos rodeia. Porém, especificamente em PNL, as crenças podem ser sobre 1) causa, 2) significado e 3) limites sobre a)o mundo, b)nossos comportamentos, c)nossas capacidades ou d)nossa identidade. Muitos autores de PNL como Dilts, Grinder e Robbins, não costumam definir crenças como positivas e negativas por elas mesmas. Mas sim dentro de um contexto onde elas são adequadas ou inadequadas, limitantes ou fortalecedoras. Diferentemente da PNL, as crenças estão associadas aos nossos valores e critério.

Em TREC, crenças são estruturas cognitivas que são a base de nossas consequências emocionais e comportamentais. Enquanto a PNL parte da premissa de que o pensamento gera o sentimento, e este, gera o comportamento; na TREC as crenças estão num nível mais profundo que os pensamentos, além de tratar pensamento, sentimento e comportamento como uma unidade. Na TREC não existe uma “hierarquia” entre pensamento, sentimento e comportamento. Eles ocorrem simultaneamente. Nós avaliamos uma situação por meio de nossas crenças e então produzimos os pensamentos, sentimentos e comportamentos. Segundo Ellis, as crenças fazem parte da nossa filosofia interna. Neste ponto a TREC se difere das demais TCC porque ela enfatiza mais os aspectos filosóficos das crenças.
Enquanto as demais TCC dividem as crenças em crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos, a TREC define apenas como crenças racionais e irracionais, baseada apenas no estrutura linguística do sujeito. Crenças irracionais são do tipo “tenho que” ou “devo”. Esta estrutura é rígida e inflexível o que gera uma exigência do sujeito que culminam em consequências perturbadoras. Ao contrário, as crenças racionais, são mais flexíveis e estão baseadas em preferências.
Um exemplo é a pessoa que tem uma crença do tipo “Tenho que agradar a todas as pessoas”. É irracional porque é generalizadora e inflexível. Este tipo de crença irracional pode gerar uma série perturbações que vão afetar o desempenho desta pessoa. Como é lógicamente impossível agradar à todas as pessoas (e até mesmo agradar uma pessoa o tempo todo), é mais adaptativo o desenvolvimento de crenças mais racionais do tipo “preferiria agradar a todas as pessoas, mas como é racionalmente impossível, eu aceito o fato de agradar apenas algumas pessoas eventualmente”.
Diferentemente das demais TCC, a TREC procura trazer o pensamento científico para o cotidiano da pessoa, de modo que ela passe a desenvolver pensamentos o mais racional possível. Segundo Ellis, é impossível uma pessoa ser totalmente racional, pois filogenéticamente temos uma tendência natural a desenvolver crenças irracionais, mas também temo uma tendência natural a questioná-los. Então a TREC objetiva treinar o paciente a utilizar suas tendências construtivas para lidar com suas tendências irracionais.
Na minha opinião a principal diferença entre TCC e TREC é que as técnicas desta última trabalham muito mais com o emocional, enquanto as demais focam predominantemente o cognitivo. No curso que estarei ministrando em São Paulo, em novembro, falarei muito mais sobre as técnicas da TREC e as diferenças e semelhanças entre ela e as demais formas de psicoterapia, inclusive a PNL.

Renan Almeida
Psicólogo