De onde vem o sofrimento emocional?

 A terapia racional-emotiva comportamental (TREC) assim como a maioria das terapias cognitivo-comportamentais (TCC) parte defende o pressuposto de que somos nós mesmos quem criamos nosso sofrimento emocional. Isto quer dizer que não são os acontecimentos em si que nos afetam, mas a avaliação que fazemos destes eventos.

O modelo da TREC defende que todo acontecimento é avaliado por nossas crenças que geram consequências emocionais e comportamentais. Isto quer dizer que a maneira como nos sentimos e nos comportamos depende da avaliação que fazemos dos acontecimentos. Porém em quase cem por cento das situações não temos consciências das nossas crenças, o que dá a falsa ideia de que são as situações, por elas mesmas, que nos perturbam.

Há basicamente dois tipos de crenças, dos quais se derivam todos os outros tipos, que são as crenças irracionais e as crenças racionais. As crenças irracionais caracterizam-se por sua estrutura rígida, generalizadora e dogmática. As crenças irracionais fazem das nossas metas exigências do tipo “tenho que me sair bem no exame” ou “devo agradar a todas as pessoas” ou ainda “tenho que ser perfeito em tudo que eu faço, senão eu sou um fracassado”. Quando utilizamos nossas crenças são rígidas, como nos exemplos anteriores, elas geram emoções perturbadoras e comportamentos neuróticos.

Já as crenças racionais são flexíveis, tolerantes e baseadas em expectativas realistas. Estas crenças fazem das nossas metas preferências ao invés de exigências, o que produz em nós sentimentos e comportamentos saudáveis. Por meio das crenças racionais adotamos uma postura de maior aceitação de nós mesmos, das pessoas e das situações. Neste contexto, aceitação quer dizer reconhecer que vivemos num mundo de probabilidades onde não há certezas absolutas de modo que é menos neurótico fazer o que é possível e aceitar o que não podemos mudar.

A principal forma de transformarmos nossas crenças irracionais em racionais, é por meio do desafio. Desafio em TREC significa utilizar um debate filosófico para questionar a validade de nossas crenças e então substituí-las por outras que sejam consistentes em sua lógica e nos permitam viver saudavelmente. Evidentemente não há pessoas cem por cento racionais, até por causa de nossa tendência biológica a distorcer a realidade e interpretar catastroficamente as situações. Por isso é importante desenvolver cada vez mais o auto-monitoramento e a habilidade para questionarmos a nós mesmos para reduzir nossas tendências neuróticas e exacerbar nossas tendências construtivas.

 

Renan Almeida (renan@renanalmeida.com.br)

Psicólogo

CRP 05/41230

 

CURSO DE TREC (TERAPIA RACIONAL-EMOTIVA COMPORTAMENTAL)